PRIMEIRA PASCOA DO MATHIAS

Então chegou a primeira Páscoa realmente em família, não que eu nunca tivesse tido uma Páscoa em família antes. Mas desta vez é diferente — esse evento foi na minha família, aquela que eu escolhi, aquela que eu tanto cuido, aquela que cuida de mim.

Também foi a primeira Páscoa do Mathias, onde ele ainda não entende muito bem o que acontece e o que aconteceu. Mas sei que assim que ele começar a compreender um pouquinho, vamos ter o prazer de ensinar com carinho o que esse dia tão belo representa para o mundo: renascimento, esperança, recomeço. Acredito que momentos como este, mesmo em sua inocência, já plantam sementes na alma. Sementes de afeto, de acolhimento e de pertencimento. Porque é isso que somos: um abrigo, um afeto constante, um porto.

E por falar em segunda chance, essa semana me dei uma. Senti o peso dos dias passando, do tempo correndo, da vida indo. E junto com a Rosa, decidimos algo que talvez tenha sido o passo mais importante dos últimos anos: eu não posso deixar meu sonho morrer. Minha profissão, que por tantas vezes me salvou, me deu propósito e conexão com o mundo, merece ser vivida de novo. Com a mesma paixão de antes. Com mais maturidade. E principalmente, com mais amor. Sim, estou definitivamente voltando a fotografar.

Se eu vou conseguir ter o número de clientes que um dia tive? Sinceramente, não sei. E talvez não precise. Talvez o que eu precise mesmo é voltar a me reconectar com o que me faz sentir vivo. Aquela emoção de capturar um instante, o sorriso tímido de um casal, a lágrima no canto do olho de uma mãe olhando o filho, a bagunça autêntica de uma criança brincando. Eu vivi tantas vidas através da lente que, por um tempo, me esqueci da minha.

E é justamente por isso que, nessa nova fase, quero documentar. Documentar não só os meus clientes, mas também minha vida, minha rotina, minha família. Quero que o Mathias tenha memórias visuais dos dias comuns, dos risos de domingo, dos silêncios da tarde, das mãos dadas nas caminhadas pela cidade. Quero que ele cresça vendo que o pai dele seguiu o coração. Que teve medo, sim, mas foi.

A fotografia vai voltar a fazer parte da nossa vida. Não como obrigação, mas como parte do que somos. Não importa se hoje tenho poucos seguidores, se minha agenda não está cheia, se o algoritmo não entrega. O que importa é que estou fazendo o que amo, e que cada clique será um passo na construção da nossa história.

A Páscoa nos fala sobre isso também: sobre o que morre para dar lugar ao novo. Sobre o que precisa ser deixado para trás para que algo maior possa florescer. E é com esse espírito que eu retorno. De coração aberto, sem muitas garantias, mas com fé de que a luz sempre encontra um jeito de entrar, mesmo nos dias nublados.

Então aqui estou. Recomeçando. Vivendo. Aprendendo. Relembrando a mim mesmo que não é tarde para tentar de novo, que não há vergonha em pausar, respirar e retornar com mais verdade. Que fotografar não é apenas clicar — é sentir, é se entregar, é contar histórias que tocam, que ficam, que fazem sentido.

E se você chegou até aqui lendo isso, obrigado. Por fazer parte de alguma forma. Por acreditar, por acompanhar, ou por apenas se identificar. Te convido a seguir comigo essa nova jornada. Quem sabe, com sorte e luz, a gente também se encontre por aí — numa sessão, num café, num reencontro com o que faz sentido pra você também.

Porque no fim, tudo que a gente quer é se sentir parte. E ser lembrado. E lembrar.

E eu sigo, com minha câmera, meu coração e minha família — registrando, vivendo e, agora, renascendo.

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